O lado sustentável da indústria de luxo deixa a desejar

Recebi e-mails perguntando sobre onde conseguir maiores informações sobre o tema do luxo consciente. Pensei, então, que seria um gancho interessante para compartilhar os textos que mais me chamaram atenção sobre o tema. Infelizmente, ainda é um assunto novo e, por isso, não possuímos ainda uma vasta bibliografia linkando luxo e sustentabilidade. Serve, então, de estímulo para nós mesmos gerarmos mais material para educar e fomentar a discussão, nao é mesmo?

Um texto que muito me interessou, e vou compartilhar hoje com vocês, foi escrito pelo WWF-UK e é chamado Deeper Luxury. Escrito em 2007, ele pode ser baixado em inglês na íntegra pelo link: http://www.wwf.org.uk/deeperluxury/

O objetivo deste texto é prover argumentos para a transformação da indústria do luxo sustentável. Através de estudos de caso de empresas que já atuam respeitando o consumidor e o planeta, os autores Jem Bendell e Anthony Kleanthous mostram que este setor possui os meios e o poder de transformaçao de todos os demais setores da economia. Afinal, é um mercado copiado por todos.

As marcas de luxo também influenciam o desejo e o comportamento do consumidor. Elas ditam design, a sua distribuição pelo mundo e o marketing, o que influencia o que, como, quando e por quanto tempo seu produto será usado. Este setor tem a oportunidade e a responsabilidade de promover o consumo responsável. O relatório chegou a classificar as marcas de luxo (com notas de A a F) de acordo com a sua performance socioambiental, e o resultado (como já suspeitávamos) ficou bastante a desejar. O grupo L’Óreal ficou em primeiro lugar com C+. Deeper Luxury ainda traz exemplo da brasileira Osklen, da tailandesa Osisu, da joalheria John Hardy, entre outros.

Em tempo, procurei entrar em contato com a WWF Brasil procurando maiores informações sobre o estudo para saber se ele tinha sido atualizado ou estendido. Mas infelizmente eles não possuíam nenhuma informação. Então, fui à fonte, a WWF inglesa, e o retorno foi não mais produtivo: tudo que poderia saber sobre o estudo estaria no site. Todos os funcionários estavam ocupados para passar maiores informações. Uma pena. De qualquer forma, recomendo a leitura. Inspirador para quem quer colocar em prática no dia a dia do setor de luxo.

Thais Cruz (thaiscruz@gmail.com) é designer e mestre em design pela Central Saint Martins, em Londres, especializou-se em sustentabilidade no setor de joias brasileiro e hoje trabalha com Lorenz Baumer, diretor de criação da Louis Vuitton Haute Joaillerie.